i feel bad for sometimes my will of being alive is based on other people than myself.

afundando na podridão que enerva debaixo dos meus caracóis sôfregos e doentes, lambidos por este distúrbio, que me sequestra do convívio com meus queridos e toma em cárcere privado nesta privada farta de sumo esgoto mental. 
em sucessão se esvaem os minutos ralados carregando-me em farelos, que há tempos multiplicam-se na escultura de meu esfacelado novo ego, abandonado à solitude das lágrimas e prazeres em sublimação.
a percepção adulterada pela torpeza da obsessão que me acomete. estou obcecada por algo que abomino - ora, qual fora a perniciosa maçã que cravei dentadas de gula para ser merecedora deste peçonhento suplício?
sinto falta de me sentir livre e de respirar sem ser engolida pelos meus pulmões. sinto falta dos pensamentos soprando feito brisa em minha mente. sinto falta de absorver o que edifica e me sorte de vontade de vida. 
eu só quero sedimentar a pressão deste vácuo com sementes que poderão ser compartilhadas no porvir e no presente. 
 

sinto falta de meu primeiro ano no ensino médio - dos dias em que eu saía do colégio e ainda estava sol. a luz entornava-se pelo ônibus e mergulhavam felizes em minha goela cada colherada do iogurte gelado banhado em pêssego e mel, enquanto nina simone entonava a melodia em que se compassava o meu coração. eu me sentia bem.

tenho respirado com amargura e ânsia. números e palavras covardes sufocam na minha garganta, matando as horas do dia. esmagando o meu crânio contra mim mesma. controlando o meu cérebro sem controle-remoto. me destruindo de dentro para fora. bilhões de nuvens navegam em minha mente e logo se desfazem em centrífuga. não consigo pescar uma ideia. não consigo, não consigo, não consigo… impotência, insuficiência: para comigo, para contigo. eu sou um rabisco. incompleto. não sacio a fome de cores, de tons variados, de nuances e vida. tento e não consigo. tento mais ou menos e também não consigo. nem tento por achar que não conseguirei… alcançar o apogeu da minha satisfação, que é a tua satisfação. socorro. fico tonta, tonta e rodopio pelo ímã desta caixa de música dolorosa. 

To depend upon a profession is a less odious form of slavery than to depend upon a father.
Virginia Woolf